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Agricultura

Fitossanidade: pragas, doenças, daninhas e resistência

Manejo Integrado de Pragas, níveis de dano, rotação de modos de ação IRAC/FRAC/HRAC e tecnologia de aplicação.

Fitossanidade: pragas, doenças, daninhas e resistência

MIP: decidir por amostragem, não por calendário

O Manejo Integrado de Pragas substitui a aplicação por calendário pela decisão baseada em amostragem. Em soja, o pano-de-batida em 10 a 20 pontos por talhão (1 ponto a cada 10 ha) mede lagartas e percevejos; o nível de ação clássico é de 2 percevejos por metro em lavoura para grão e 1 por metro em lavoura para semente, e 20 lagartas grandes por metro ou 30% de desfolha antes do florescimento.

Monitoramento com armadilhas (feromônio, adesiva amarela, luminosa, Delta, McPhail) antecipa picos e indica o momento correto da aplicação — cedo, sobre larvas pequenas, quando qualquer inseticida funciona melhor e com menos dose.

  • Registre a contagem por data e monte a curva populacional do talhão.
  • Avalie inimigos naturais antes de aplicar: tesourinha, joaninha, vespinha e fungos entomopatogênicos.
  • Controle biológico (Bacillus thuringiensis, Trichogramma, Metarhizium, Beauveria) entra no programa, não depois dele.

Resistência: o recurso mais fácil de perder

Resistência é seleção. Aplicar repetidamente o mesmo modo de ação elimina os indivíduos suscetíveis e multiplica os resistentes. A defesa é a rotação de grupos: IRAC para inseticidas, FRAC para fungicidas e HRAC para herbicidas — sempre pelo número do grupo, nunca pelo nome comercial, porque produtos diferentes podem ter o mesmo modo de ação.

Casos brasileiros consolidados: ferrugem-asiática com sensibilidade reduzida a triazóis (FRAC 3) e estrobilurinas (FRAC 11), exigindo carboxamidas (FRAC 7) e multissítios (mancozebe, clorotalonil) em mistura; buva e capim-amargoso resistentes ao glifosato (HRAC 9); Spodoptera frugiperda com resistência a piretroides (IRAC 3A) e a algumas proteínas Bt.

Rotação de modos de ação — regra prática

AlvoSistemaRegra
InsetosIRACNo máximo 2 aplicações seguidas do mesmo grupo por geração da praga
FungosFRACSempre em mistura com multissítio; máximo 2 aplicações do mesmo sítio específico por safra
DaninhasHRACPré-emergente com mecanismo distinto do pós; nunca repetir o mesmo grupo na mesma safra

Tecnologia de aplicação: onde o produto se perde

Metade dos fracassos atribuídos ao produto é problema de aplicação. Taxa de aplicação (L/ha) = vazão do bico (L/min) × 60000 / (espaçamento entre bicos em cm × velocidade em km/h × 10). Bicos desgastados acima de 10% da vazão nominal devem ser substituídos em conjunto, não individualmente.

Condições de aplicação: temperatura abaixo de 30 °C, umidade relativa acima de 55%, vento entre 3 e 10 km/h e Delta T entre 2 e 8. Fora disso a deriva e a evaporação levam o produto embora antes do alvo. Para herbicidas sistêmicos em pós, gotas médias (200-400 µm) e 100 a 150 L/ha; para fungicidas em dossel fechado, volume maior e gotas finas com adjuvante compatível.

A qualidade da água da calda é frequentemente ignorada: pH entre 4 e 6 para a maioria das moléculas, dureza corrigida com sulfato de amônio quando se usa glifosato, e ordem correta de mistura (pó molhável, dispersível, suspensão, solúvel, emulsionável, adjuvante).

  • Faça a prova de vazão dos bicos a cada 100 horas de trabalho.
  • Registre data, hora, produto, dose, alvo, clima e operador — exigência legal e técnica.
  • Receituário agronômico obrigatório; respeite carência e intervalo de reentrada.

Fontes oficiais desta área

Confirme sempre dose, norma e dado de safra na fonte oficial antes de aplicar em campo.

CIA-AGRO — plataforma técnica de agricultura, pecuária e silvicultura.